Nas antigas sociedades agrárias, contar histórias entre membros de uma mesma família era natural.
Os mais velhos estavam sempre contando casos e lendas aos mais novos.
Esse costume foi se perdendo com os avanços tecnológicos, principalmente nos grandes centros. Nem todas as famílias mantiveram essa tradição e muitos pais da atual geração cresceram sem ouvir histórias, o que está acarretando o fim de um processo.
Apesar dos avanços tecnológicos, as narrativas continuam a fascinar adultos e crianças, independente de lugar, idade ou classe social.
Percebe-se isso pelo crescimento do consumo de livros das mais variadas histórias e dos mais diferentes e inovadores formatos e também pela atenção desse público quando escuta uma história ou um caso.
Da mesma forma que há o interesse pelo livro, também ressurge o interesse pela figura do contador de histórias que, assim como os livros, estimula o prazer pela leitura.
Ele tem o papel de, além de apresentar a “contação” de histórias como atividade artística, utilizá-la como recurso de transmissão de informações e conhecimentos acumulados pelas gerações – costumes, crenças, valores e mitos de comunidades.
Dessa forma, para estimular esse prazer, é necessário promover encontros ou sessões em que esse “contador” atue, pois será ele o elo entre a criança e o livro.
Enquanto ouve uma história, o ouvinte transforma-se em produtor de texto, em co-autor da história que lhe é contada, pois com as pistas que a voz do contador lhe oferece, desenha na cabeça épocas, lugares, personagens.
E a voz do contador, atenta à reação da platéia, alteia-se, sussurra, faz pausas, treme, transforma a leitura do conto num mágico momento de cumplicidade.
Terminada a história, esse ouvinte quer prolongar seu prazer de ouvir.
É a hora em que o contador deve promover o encontro entre a criança e o livro onde está a história contada: é a hora de ler o registro escrito e a ilustração, é a hora de confirmar-negar as hipóteses levantadas enquanto a história era ouvida.
É também a hora em que o ouvinte-leitor percebe que pode reler os trechos de que mais gostou, pular páginas, ler uma frase aqui, outra ali, enfim, pode escolher o rumo de sua leitura e ir em busca de outras histórias do mesmo autor ou de outras histórias do mesmo gênero, trilhando os caminhos pra a sua formação de leitor crítico.
A ONG Trilhas da Serra – Educação, Cultura e Cidadania, por meio do Programa Leitura Viva, atua na comunidade do Circuito das Águas Paulista levando o seu grupo de contadores a escolas, praças, espaços públicos, cafés e outras instituições com o objetivo de democratizar o acesso ao livro e, consequentemente, estimular o prazer da leitura livre de compromissos didáticos.
Desde 2004, promove cursos de formação de educadores a fim de ensinar-lhes estratégias de leitura na sala de aula e também de criar condições para que o Programa seja implantado nas escolas.
Com o Programa, circulou em escolas, ruas, festivais, oficinas em instituições públicas e privadas abrindo TRILHAS de leitura que demonstram práticas eficientes a professores, bibliotecários e mediadores e divulgando essa metodologia em palestras, seminários, feiras de livros e lançamentos.
Algumas histórias contadas pelo grupo:
- “Marilu” – Eva Furnari – Editora Martins Fontes
- “Os comedores de palavras” – Edimilson de Almeida Pereira – Editora Mazza
- “O comedor de nuvens” – Heloísa Pires Lima – Editora Paulinas
- “A semente que veio da África” – Heloísa Pires Lima – Editora Companhia das Letrinhas
- “Fiapo de Trapo” – Ana Maria Machado – Editora Nova Fronteira
- “Amigo do Rei” – Ruth Rocha – Editora Salamandra
- “Beto, o carneiro” – Ana Maria Machado – Editora Salamandra
- “O grande rabanete” – Tatiana Belinky – Editora Moderna
- “A misteriosa caixa do contador de histórias” – Sérgio Palmiro Serrano – Editora Paulinas
- “A onça e o Saci” – Pedro Bandeira – Editora Moderna
- “O caso do Bolinho” – Tatiana Belinky – Editora Moderna
- “O macaco e a boneca de cera” – Sônia Junqueira – Editora Atual
- “Cuidado, Dona Mata” – Regina Siguemoto – Editora Formato
- “Bem-te-verde” – Santuza Abras – Editora Formato
- “Varre, vento!” – Cláudia Pacce – Quinteto Editorial
- “A casa” – Regina Siguemoto – Editora Paulinas
- “Surpresa na sombra” – Ana Maria Machado – Editora Salamandra
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